O silêncio tem voz

As novas tecnologias são para todos

Os idosos e as novas tecnologias

As novas tecnologias tornaram-se num instrumento imprescindível de aquisição de informação, comunicação e entretenimento.

A sua utilização pelas pessoas idosas permite estimular a atividade mental, contribuir para a inclusão social e possibilitar um maior contato com a família.

Existem outras vantagens como a facilidade de acesso aos cuidados de saúde através de instrumentos de telemedicina.

Também existem riscos associados relacionados com a criminalidade cibernética, a partilha indevida de informação e a privacidade.

Os mais velhos têm dificuldade na utilização das novas tecnologias.

O seu afastamento desta realidade representa um fator de exclusão social. A participação dos idosos na sociedade e nas questões relacionadas com o envelhecimento requer uma cidadania ativa. Para este efeito, é necessário que as pessoas idosas tenham acesso à informação, se sintam incentivadas a intervir e possam fazê-lo de forma esclarecida, o que é dificultado pelo seu afastamento da nova realidade digital. Fala-se a este propósito na divisão digital cinzenta – digital grey divide – entre os que utilizam regularmente as novas tecnologias e os mais velhos que estão excluídos.

As Nações Unidas dedicaram o Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação de 2022 às tecnologias digitais para as pessoas idosas e o envelhecimento saudável afirmando que o engajamento digital pode capacitar os idosos, ampliando a sua contribuição nas famílias, nas comunidades locais e na sociedade.

A União Europeia começou a intervir nesta área com a Estratégia de Lisboa (2005) em que foi decidido o desenvolvimento de iniciativas e estratégias para a construção de uma sociedade de informação totalmente inclusiva. Esta estratégia levou à Declaração de Riga (2006) e à Agenda Digital para a Europa (2010). Atualmente, está a decorrer a plataforma Active and Healthy Living in the Digital World (2021) no âmbito do envelhecimento ativo e saudável.

Estas iniciativas tiveram resultados positivos. No ano de 2007, 83% das pessoas com 65 anos ou mais na União Europeia nunca tinham utilizado a internet. No ano de 2020, esta percentagem era de 32%.

Se é certo que a percentagem de idosos que nunca utilizaram a internet tem vindo a diminuir, também é verdade que em muitos países a sua utilização regular continua a apresentar valores diminutos. As análises mais recentes demonstram que 79% das famílias abaixo da idade de reforma têm acesso à internet, enquanto apenas 37% das famílias acima desta idade têm este acesso.

Os jovens podem desempenhar um papel fundamental nesta matéria. Se as pessoas idosas têm dificuldade relativamente às novas tecnologias, os mais novos estão claramente familiarizados com esta realidade e podem contribuir para a divulgação da sua utilização e o desenvolvimento de aplicações adaptadas aos idosos.

Pretende-se uma utilização pelos mais velhos que seja responsável e esclarecida, sob pena de as desvantagens da internet se sobreporem às suas inegáveis vantagens e à melhoria da qualidade de vida a que está associada.

As redes sociais e os mais velhos

A utilização das redes sociais pelas pessoas idosas é pouco estudada.

Os preconceitos da sociedade relativamente aos idosos tendem a refletir-se nas novas tecnologias, considerando-se que não se destinam a este grupo etário e não se justifica o seu envolvimento.

Por este motivo, as pessoas idosas ou não são estudadas ou estão sub-representadas nas amostras.

As Nações Unidas têm um programa específico para combate ao idadismo digital – ageism in artificial intelligence for health – que aborda estas questões.

A utilização das redes sociais tem vantagens para as pessoas idosas. É uma forma de partilharem as suas experiências, divulgarem os seus interesses e estabelecerem ou manterem contato com familiares e amigos.

Os estudos demonstram que a motivação das pessoas idosas para utilizar as redes sociais é diferente dos jovens. Os mais novos utilizam as redes sociais para manter ou ampliar o seu círculo social. Os idosos privilegiam a qualidade dos contatos em detrimento da quantidade e pretendem fundamentalmente partilhar as suas experiências e os seus interesses.

Esta diferença reflete-se nas redes sociais que são utilizadas. Atualmente, os jovens preferem o instagram enquanto os idosos utilizam preferencialmente o facebook.

A utilização das redes sociais pelas pessoas idosas é especialmente adequada para pessoas com uma rede de relacionamentos interpessoais diminuta ou quando existem problemas de mobilidade.

Em contrapartida, para os idosos que mantêm uma forte rede de contatos as redes sociais não apresentam vantagens assinaláveis, podendo inclusivamente ser contraproducentes e traduzir-se num fator de isolamento e solidão.

O essencial é conhecer todos estes aspetos e promover uma utilização adequada, responsável e esclarecida.